quinta-feira, 27 de agosto de 2015

As coisas acontecem quando você não as espera

"As coisas acontecem quando você não as espera, as coisas acontecem quando você não as força, as coisas acontecem quando você não está ansioso por elas.
Mas isso é uma consequência, não um resultado. E fique claramente consciente da diferença entre "consequência" e "resultado". Um resultado é conscientemente desejado; uma consequência é um subproduto. Por exemplo: se eu digo a você que se brincar, a felicidade será consequência, você vai tentar por um resultado. Você vai e brinca, esperando pelo resultado da felicidade. Mas eu lhe disse que ela será a consequência e não o resultado.
A consequência significa que se você está realmente na brincadeira, a felicidade acontece.
Se você constantemente pensa na felicidade, então, ela tem de ser um resultado; ela nunca acontecerá. Um resultado vem de um esforço consciente; uma consequência é apenas um subproduto. Se você estiver brincando intensamente, você estará feliz. Mas a própria expectativa, o anseio consciente pela felicidade, não lhe permitirá brincar intensamente. A ânsia pelo resultado se tornará uma barreira e você não será feliz.
A felicidade não é um resultado e sim, uma consequência. Se eu digo que se você amar, será feliz, a felicidade será uma consequência, não um resultado. Se você pensa que, porque quer ser feliz, deve amar, nada resultará disso. A coisa toda será falsificada, porque a pessoa não pode amar alguém por algum resultado. O amor acontece! Não há motivação por detrás dele.
Se há motivação, não é amor. Pode ser qualquer coisa. Se eu estou motivado e penso que, porque desejo a felicidade, vou amá-lo, esse amor será falso. E como será falso, a felicidade não resultará dele. Ela não virá, é impossível. Mas se eu o amo sem qualquer motivação, a felicidade segue como uma sombra.
A aceitação será seguida por transformação, mas não faça da aceitação uma técnica para a transformação. Ela não é. Não anseie por transformação - somente então a transformação acontece. Se você a deseja, seu próprio desejo é obstáculo."

Osho

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Das heranças: o cinema


                                        Clique aqui para ouvir a trilha do texto
Algumas coisas que precisam ser vividas, parecem-nos tão certas quando acontecem, que pode-se dizer que foram escritas nas estrelas. Creio que essa seja uma delas.
O cinema sempre se fez indiretamente presente na minha vida, sendo a diversão dos sábados com meu pai; A ajuda ao avô materno para escolher filmes nas videolocadoras, a atenção nas histórias contadas pelo meu avô paterno enquanto assistíamos a documentários de guerra e às coisas que eu, desde cedo, escrevia.
Aos poucos, a diversão dos sábados com o papai tornou-se coleção; A ajuda ao avô materno, tornou-se um vício em Kill Bill e em filmes do Tarantino; Os documentários da tarde com o avô paterno, resultaram em um amor inexplicável por história, geopolítica e documentários em geral e os escritos... tornaram-se uma necessidade. 
Hoje, quando adentro as memórias da minha infância, enxergo cada gesto das pessoas ao meu redor para me tornar o que sou. E embora não tenha alcançado (ainda) inteiramente meus objetivos, em meu presente, sinto as mãos dessas pessoas a me guiar nesse caminho, que creio eu, já ter sido descrito muito antes.
As fotos acima são do projeto mais recente do curso de cinema, um documentário sobre videolocadoras, em que tive o prazer de realizar a direção de arte. Me senti livre para criar em cima de um tema que me fascina; Presenciei depoimentos surpreendentemente encantadores e pude, de alguma maneira, enxergar um pouco dos meus avôs no depoimento do Sr. Ribas (foto).  No instante em que pude perceber todas essas coisas reunidas em um projeto, foi como enxergar-me nele. Mas a verdade é que quando fazemos o que gostamos e colocamos um pouco de amor, sempre nos enxergaremos lá.

trilha.001: [un]kind wor[l]d

                                                                                  Clique aqui para ouvir 
Primeira trilha original do blog e assim serão chamadas as próximas - de trilha, a fazer menção a "trilha sonora" utilizada no mundo cinematográfico - embora o termo também seja utilizado em outros momentos.
[un]kind wor[l]d tem uma seleção de doze músicas sobre a ambivalência de todas as coisas do Universo; o lado bom e ruim de qualquer coisa... 
É a trilha daqueles dias em que o mundo parece muito injusto para conosco e, de repente, surge no ar uma palavra que nos conforta; qualquer coisa esparramada por aí, que nos tire um riso frouxo. 


domingo, 26 de julho de 2015

Especial 26 de julho: Eyes Wide Shut - uma análise

 
De olhos bem fechados, um filme de Stanley Kubrick, do ano de 1999, é uma trama baseada no conto Traumnovelle, do austríaco Arthur Schnitzler e conta com Tom Cruise e Nikole Kidman no elenco. Produzido pela Warner Bros, orçado em 65 milhões de dólares, esta é uma produção que mexe com os sentidos humanos e nos coloca de frente com um "eu" desconhecido. 
Embora causar identificação com o público seja um objetivo claro em um filme, poucos são os que atingem essa façanha tão bem quanto Kubrick. Com diversos elementos inegavelmente em sintonia - como a trilha sonora, fotografia e direção de arte, somos levados a situações de conflito interno inimagináveis, adotando a realidade do personagem e, a todo instante, sendo naturalmente guiados a questionamentos própios, inclusive - e principalmente - questionamentos éticos.
Com enorme sensibilidade artística e erótica, Stanley brinca com a psique humana, de fato.
A história narra não apenas a vida de um casal nova-iorquino aparentemente bem sucedido financeira e amorosamente, mas sim, seus maiores conflitos internos, colocando esta realidade em "check" a partir do momento em que se põe em prova a fidelidade da esposa e as reações causadas ao protagonista em virtude de seus próprios pensamentos. No entanto, não é explícita a verdade sobre esta "realidade" - o que faz com que o espectador entre, tanto quanto o personagem, em paranóia.
Por fim, pode-se comparar - em termos literários, ao conflito de Capitu e Bentinho, no conto Dom Casmurro, de Machado de Assis.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

10 dicas do meu pai ✓

 

1. evitar reclamações sobre a vida - apenas aceitá-la e fazer algo para mudar de fato
2. ir até o fim do que começou
3. ser paciente e não esperar resultados imediatos 
4. cultivar bons pensamentos
5. ouvir mais do que falar
6. evitar comentários negativos quando desnecessários - quase sempre
7. saber reconhecer os próprios erros e assumi-los
8. fazer, não esperar que façam 
9. reconhecer o empenho alheio
10. dar o melhor de si nas atividades desempenhadas

Especial 24 de julho: a musa.


Minha flor azul, de cerâmica morada 
Azul dizem a segunda, cinza é teu dia
Longe de qualquer raio de sol, fazes teu chão
De amor cruel, nuvens de papel
Cantarei a vida, chorarei a morte
Desta ponte cai um véu de flores mortas
Deste barro que piso eu, todo teu sangue
Aqui se faz a ausência de tua presença
Por amparo busco eu, escorada nessas lápides seculares
Cercada por olhares tortos de vivos e mortos, espero por ti
Desce com a chuva, musa divina, e canta teu azul de morte pra mim 

Fotografia e texto: Lauren Bassi

A primeira postagem ☼

Gostaria que este primeiro texto, assim como este espaço, fosse algo infinitamente agradável, que despertasse o interesse das pessoas e que as pudesse fazer sentir bem.
Não poderia imaginar uma recepção melhor do que escreverei a seguir:

"Neste dia, tu leste algo que te moveu e te fez perceber que não há mais o que temer. Nenhuma lágrima para chorar. Nenhuma cabeça para abaixar. E que toda vez que tu pensaste ter ofendido alguém, foi algo da tua cabeça e, na verdade, eles te amam com todo o coração e nada mudará isso.
Que todos (e tudo) vivem dentro de ti; Mas que isso não faz qualquer um menos real; Que as coisas suaves te mudarão e ficarão contigo mais tempo do que as duras; Que estar sozinho significa ser livre; Que amores antigos sentem a tua falta e novos amores querem estar contigo, mas quem tu estás, é realmente com quem deverias; Que as cócegas que sentes sob teus braços, são penas de anjos que sussurram constantemente nos teus ouvidos, se decidires que queres ouvi-los; Que tudo que tu queres que aconteça, acontecerá, se tu decidires que queres o suficiente; Que cada vez que tu tens um pensamento triste, tu podes pensar em algo feliz; Que tu controlas isso completamente.
Que as pessoas que te fazem rir são mais bonitas do que pessoas bonitas; Que tu ris mais do que choras; Mas que chorar, às vezes, é bom. Que as pessoas que tu odeias desejam que tu pares e, no fundo, tu também.
Que os teus amigos são o reflexo da melhor parte de ti; Que tu és mais do que a soma de todas as coisas que conheces. Que dançar, às vezes, é mais importante do que ouvir a música.
Que os momentos mais difíceis e constrangedores da tua vida são lembrados apenas por ti e ninguém mais; Que ninguém te julga quando entras em uma sala e tudo o que querem saber, na verdade, é se tu os estás julgando. Que a diferença entre trabalho e arte, é paixão; Que nada define quem tu és. E que falar com estranhos é como se faz amigos.
Que dias ruins acabam, mas um sorriso pode correr o mundo; Que a vida se contradiz constantemente, mas é por isso que vale a pena viver.
Que a diferença entre dor e amor, é tempo; Que o amor é tão real quanto tu queres que ele seja.
Que se tu te sentes bem, tu pareces bem - mas nem sempre funciona ao contrário.
Que o sol nascerá a cada dia e cabe a ti aceitar isso.
Que nada importa até este ponto.
Que o que tu decidires agora, mudará o futuro... para sempre.
A chuva é linda e tu também."

Esse é um trecho, traduzido por mim, do último capítulo de um livro chamado "I wrote this for you", de Iain Thomas.