domingo, 6 de setembro de 2015

O fim: 001

Tão cegamente seguiria por qualquer rumo
Acompanhada das pequenas comoções
Pelo abandono do grilhão da vida
À procura dos já finados
E das não findadas relações
Por hora, vejamos...
O limite ainda nos diz muito
E nós dizemos pouco
Sem reclamar dos vermes da dor que cá habitam
E nos corroem dia após dia...

Trilha

Admito... Às vezes, é complicado e desanimador escrever e ter praticamente a certeza de que as pessoas não irão ler e compartilhar daquele sentimento. No entanto, é surpreendente quando o contrário acontece. Embora raro, sigo.
Por escrever sobre como me sentia desde pequena, surgiu um apanhado de textos; Os melhores - ou menos piores, reunidos em uma coletânea de quase 60 escritos. Confesso que tenho bastante apego a alguns e me enxergo muito naqueles versos, mas há um tempo decidi que não quero mais me ver ali. Afinal, apesar de as palavras serem bonitas, às vezes, o que me levou a escrevê-las não me fez tão bem assim. Não vou deixar de escrever, mas tudo no Universo, inclusive ele próprio, tem fases e comigo não seria diferente. Apesar disso, compreendo que fazem parte da minha essência como um todo e não pretendo esquecê-los... por isso, de tempos em tempos vou postar um que outro aqui, sendo parte de um conjunto denominado 'O fim', geralmente acompanhado de uma fotografia e/ou trilha.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

As coisas acontecem quando você não as espera

"As coisas acontecem quando você não as espera, as coisas acontecem quando você não as força, as coisas acontecem quando você não está ansioso por elas.
Mas isso é uma consequência, não um resultado. E fique claramente consciente da diferença entre "consequência" e "resultado". Um resultado é conscientemente desejado; uma consequência é um subproduto. Por exemplo: se eu digo a você que se brincar, a felicidade será consequência, você vai tentar por um resultado. Você vai e brinca, esperando pelo resultado da felicidade. Mas eu lhe disse que ela será a consequência e não o resultado.
A consequência significa que se você está realmente na brincadeira, a felicidade acontece.
Se você constantemente pensa na felicidade, então, ela tem de ser um resultado; ela nunca acontecerá. Um resultado vem de um esforço consciente; uma consequência é apenas um subproduto. Se você estiver brincando intensamente, você estará feliz. Mas a própria expectativa, o anseio consciente pela felicidade, não lhe permitirá brincar intensamente. A ânsia pelo resultado se tornará uma barreira e você não será feliz.
A felicidade não é um resultado e sim, uma consequência. Se eu digo que se você amar, será feliz, a felicidade será uma consequência, não um resultado. Se você pensa que, porque quer ser feliz, deve amar, nada resultará disso. A coisa toda será falsificada, porque a pessoa não pode amar alguém por algum resultado. O amor acontece! Não há motivação por detrás dele.
Se há motivação, não é amor. Pode ser qualquer coisa. Se eu estou motivado e penso que, porque desejo a felicidade, vou amá-lo, esse amor será falso. E como será falso, a felicidade não resultará dele. Ela não virá, é impossível. Mas se eu o amo sem qualquer motivação, a felicidade segue como uma sombra.
A aceitação será seguida por transformação, mas não faça da aceitação uma técnica para a transformação. Ela não é. Não anseie por transformação - somente então a transformação acontece. Se você a deseja, seu próprio desejo é obstáculo."

Osho

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Das heranças: o cinema


                                        Clique aqui para ouvir a trilha do texto
Algumas coisas que precisam ser vividas, parecem-nos tão certas quando acontecem, que pode-se dizer que foram escritas nas estrelas. Creio que essa seja uma delas.
O cinema sempre se fez indiretamente presente na minha vida, sendo a diversão dos sábados com meu pai; A ajuda ao avô materno para escolher filmes nas videolocadoras, a atenção nas histórias contadas pelo meu avô paterno enquanto assistíamos a documentários de guerra e às coisas que eu, desde cedo, escrevia.
Aos poucos, a diversão dos sábados com o papai tornou-se coleção; A ajuda ao avô materno, tornou-se um vício em Kill Bill e em filmes do Tarantino; Os documentários da tarde com o avô paterno, resultaram em um amor inexplicável por história, geopolítica e documentários em geral e os escritos... tornaram-se uma necessidade. 
Hoje, quando adentro as memórias da minha infância, enxergo cada gesto das pessoas ao meu redor para me tornar o que sou. E embora não tenha alcançado (ainda) inteiramente meus objetivos, em meu presente, sinto as mãos dessas pessoas a me guiar nesse caminho, que creio eu, já ter sido descrito muito antes.
As fotos acima são do projeto mais recente do curso de cinema, um documentário sobre videolocadoras, em que tive o prazer de realizar a direção de arte. Me senti livre para criar em cima de um tema que me fascina; Presenciei depoimentos surpreendentemente encantadores e pude, de alguma maneira, enxergar um pouco dos meus avôs no depoimento do Sr. Ribas (foto).  No instante em que pude perceber todas essas coisas reunidas em um projeto, foi como enxergar-me nele. Mas a verdade é que quando fazemos o que gostamos e colocamos um pouco de amor, sempre nos enxergaremos lá.

trilha.001: [un]kind wor[l]d

                                                                                  Clique aqui para ouvir 
Primeira trilha original do blog e assim serão chamadas as próximas - de trilha, a fazer menção a "trilha sonora" utilizada no mundo cinematográfico - embora o termo também seja utilizado em outros momentos.
[un]kind wor[l]d tem uma seleção de doze músicas sobre a ambivalência de todas as coisas do Universo; o lado bom e ruim de qualquer coisa... 
É a trilha daqueles dias em que o mundo parece muito injusto para conosco e, de repente, surge no ar uma palavra que nos conforta; qualquer coisa esparramada por aí, que nos tire um riso frouxo. 


domingo, 26 de julho de 2015

Especial 26 de julho: Eyes Wide Shut - uma análise

 
De olhos bem fechados, um filme de Stanley Kubrick, do ano de 1999, é uma trama baseada no conto Traumnovelle, do austríaco Arthur Schnitzler e conta com Tom Cruise e Nikole Kidman no elenco. Produzido pela Warner Bros, orçado em 65 milhões de dólares, esta é uma produção que mexe com os sentidos humanos e nos coloca de frente com um "eu" desconhecido. 
Embora causar identificação com o público seja um objetivo claro em um filme, poucos são os que atingem essa façanha tão bem quanto Kubrick. Com diversos elementos inegavelmente em sintonia - como a trilha sonora, fotografia e direção de arte, somos levados a situações de conflito interno inimagináveis, adotando a realidade do personagem e, a todo instante, sendo naturalmente guiados a questionamentos própios, inclusive - e principalmente - questionamentos éticos.
Com enorme sensibilidade artística e erótica, Stanley brinca com a psique humana, de fato.
A história narra não apenas a vida de um casal nova-iorquino aparentemente bem sucedido financeira e amorosamente, mas sim, seus maiores conflitos internos, colocando esta realidade em "check" a partir do momento em que se põe em prova a fidelidade da esposa e as reações causadas ao protagonista em virtude de seus próprios pensamentos. No entanto, não é explícita a verdade sobre esta "realidade" - o que faz com que o espectador entre, tanto quanto o personagem, em paranóia.
Por fim, pode-se comparar - em termos literários, ao conflito de Capitu e Bentinho, no conto Dom Casmurro, de Machado de Assis.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

10 dicas do meu pai ✓

 

1. evitar reclamações sobre a vida - apenas aceitá-la e fazer algo para mudar de fato
2. ir até o fim do que começou
3. ser paciente e não esperar resultados imediatos 
4. cultivar bons pensamentos
5. ouvir mais do que falar
6. evitar comentários negativos quando desnecessários - quase sempre
7. saber reconhecer os próprios erros e assumi-los
8. fazer, não esperar que façam 
9. reconhecer o empenho alheio
10. dar o melhor de si nas atividades desempenhadas