domingo, 26 de julho de 2015

Especial 26 de julho: Eyes Wide Shut - uma análise

 
De olhos bem fechados, um filme de Stanley Kubrick, do ano de 1999, é uma trama baseada no conto Traumnovelle, do austríaco Arthur Schnitzler e conta com Tom Cruise e Nikole Kidman no elenco. Produzido pela Warner Bros, orçado em 65 milhões de dólares, esta é uma produção que mexe com os sentidos humanos e nos coloca de frente com um "eu" desconhecido. 
Embora causar identificação com o público seja um objetivo claro em um filme, poucos são os que atingem essa façanha tão bem quanto Kubrick. Com diversos elementos inegavelmente em sintonia - como a trilha sonora, fotografia e direção de arte, somos levados a situações de conflito interno inimagináveis, adotando a realidade do personagem e, a todo instante, sendo naturalmente guiados a questionamentos própios, inclusive - e principalmente - questionamentos éticos.
Com enorme sensibilidade artística e erótica, Stanley brinca com a psique humana, de fato.
A história narra não apenas a vida de um casal nova-iorquino aparentemente bem sucedido financeira e amorosamente, mas sim, seus maiores conflitos internos, colocando esta realidade em "check" a partir do momento em que se põe em prova a fidelidade da esposa e as reações causadas ao protagonista em virtude de seus próprios pensamentos. No entanto, não é explícita a verdade sobre esta "realidade" - o que faz com que o espectador entre, tanto quanto o personagem, em paranóia.
Por fim, pode-se comparar - em termos literários, ao conflito de Capitu e Bentinho, no conto Dom Casmurro, de Machado de Assis.